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Quando penso que se o centro das minhas orações é Deus e sua vontade, então tenho acesso a qualquer coisa posso também estar enganado e no final, me frustrar.
No primeiro artigo sobre oração, me esforcei para passar o mais longe possível de qualquer arrogância e orgulho para não deixar uma ideia falsa de que não preciso de nada de Deus, até porque preciso muito e preciso sempre, mas, não preciso apenas do que Deus pode me dar, preciso também de Deus. Procuro não esquecer que oração é envolvimento, oração é relacionamento.
Se as bênçãos de Deus chegassem até nós sem serem pedidas, não teriam metade do valor que têm, pois, ao pedi-las, obtemos uma dupla bênção – uma em obter, outra em pedir. O próprio ato de orar é uma bênção. — C. H. Spurgeon
Ainda assim, encontramos quem esqueça ou ignore que a nossa relação com Deus é de pura dependência, se esquece que somos nós quem precisamos dele, já que sem Cristo nada podemos fazer [João 15:5], e defenda que “orar é entrar na tesouraria de Deus e apossar-se dos seus tesouros” como a frase tuitada por certo pastor de jovens que distorceu uma frase do livreto Oração eficaz de C. H. Spurgeon em que ele diz: “Orar é entrar na tesouraria de Deus e enriquecer-se de um reservatório inexaurível.” (p. 20) sem mencionar a fonte. Mas, quais são estes tesouros? Para mim, quando Spurgeon usou esta ilustração sua intenção era bastante diferente do que muitos entenderam ao ler e compartilhar a frase tuitada.
Particularmente, não consigo aceitar qualquer afirmação que tente nos converter de despenseiros da multiforme Graça de Deus [1 Pedro 4:10] em posseiros das coisas de Deus. Orar não é furtar coisas de Deus! Orar não é alimentar nossa ganância por bens ou nosso capricho por status. O apóstolo Paulo orientou Timóteo a ensinar os ricos de sua igreja que não fossem arrogantes, mas que praticassem o bem, nem que tivessem esperança em suas posses, mas em Deus, que fossem ricos em boas obras e prontos para repartir. Só assim teriam um tesouro firme para a eternidade e alcançariam a verdadeira vida [1 Timóteo 6:17,18]. Eles não poderiam esquecer que nada do que podemos possuir nesta vida tem valor para a vida eterna!
Infelizmente, o que temos hoje é gente pobre de espírito, gananciosa e arrogante, que valoriza e deseja muito mais os tesouros deste mundo do que os tesouros dos céus, gente que topa qualquer coisa que dê a falsa sensação de poder exigir o que se quer de Deus [1 Timóteo 6.7-11], mesmo que isto custe muito caro e possa causar dores nesta vida e pela eternidade. Esqueceram completamente, ou talvez nunca tenham aprendido, que as bênçãos de Deus nos enriquecem sem acrescentar dores [Provérbios 10:22].
Voltemos ao princípio de um evangelho simples e adorador, que jamais esqueçamos das palavras do apóstolo Pedro em sua primeira carta [1 Pedro 1:3-5]: bendigamos ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Que conforme a sua grande misericórdia nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada para nós, nos céus!

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