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Artigos Oração dos justos
7
fev

Oração dos justos

por André Persil | Nenhum comentário
Oração dos justos

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Oramos e Deus nos responde. Mas, ouvimos o que Ele diz ou só nos importa o que falamos ou queremos?

Ouvir o que Deus nos diz enquanto oramos pode ser muito mais importante do que acreditarmos que Ele nos ouviu apenas por ter respondido algo conforme desejamos. Talvez, nossa necessidade daquilo que pedimos não seja maior que nossa necessidade de nos relacionarmos com o próprio Deus.

Quando eu oro, não penso em mim pedindo a Deus para intervir e mudar as coisas. Eu oro porque a invocação à presença de Deus me ajuda a me sentir menos sozinho. Um não-judeu amigo meu me perguntou uma vez, “Harold, para que os judeus oram?” Eu respondi, “Na oração judaica é menos importante a questão de orar por, e mais importante orar com e para”. Como o teólogo Martin Buber diz, quando oramos, não pedimos a Deus por nada. Nós pedimos a Deus por Deus. Convidamos Deus para nossas vidas, então as atitudes que tomamos serão guiadas pelo sentido da presença de Deus. — Harold Kushner (tradução livre de um trecho do livro “Conquering fear” compartilhado no Facebook pelo Pr. Ed René Kivitz)

Depois dos últimos dois artigos, entendo que não vale a pena deixar de lado os ensinamentos do próprio Cristo sobre não nos preocuparmos em acumular os tesouros desta vida [Mateus 6:19], mas buscarmos primeiramente o Seu Reino e a Sua Justiça [Mateus 6:33] para que as demais coisa nos sejam acrescentadas, conforme a Sua vontade. Mais vale orarmos para nos relacionarmos com Deus, sem interesse no que Ele pode fazer, mas, pelo que Ele é.

Oração eficaz é fruto de um relacionamento com Deus, não uma técnica para adquirir bênçãos. — D. A. Carson

Mas, precisamos se honestos primeiramente com Deus e depois conosco, pois, de nada adianta apenas dizermos que nossas vidas estão nas mãos de Deus e que a vontade dEle é a que deve prevalecer, enquanto nossas ações dizem o contrário ao vivermos escorados em chavões como “a oração é a chave que abre o coração de Deus” e ao declararmos irresponsavelmente que a oração de um justo é poderosa e eficaz, ou que pode muito em seus efeitos [Tiago 5:16], sem nos perguntarmos: quem é justo? Eu sou justo?

Se Davi relata uma avaliação divina que teve como conclusão uma humanidade completamente corrompida, desviada em que “não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” [Salmos 14:3], se para o Eclesiastes “não há um só justo na terra, ninguém que pratique o bem e nunca peque” [Eclesiastes 7:20], se para o apóstolo Paulo os judeus romanos não tinham motivos para considerar-se mais justos que ninguém [Romanos  3:10-18], e para o apóstolo João quem afirma não pecar faz de Deus mentiroso e não tem a Palavra dEle em si [1 João 1:10], fica bastante difícil dizer que alguém é justo. Eu não me arrisco a isso!

Acredito que, na verdade, nunca houve, não há e jamais haverá alguém completamente justo, com exceção de Jesus Cristo que – enquanto homem – nunca pecou [1 Pedro 2:22]. A Bíblia não me dá argumentos para defender que alguém seja justo, pelo menos até agora não encontrei. O que vejo revelado na Palavra é que existem pessoas em processo de justificação. Somos justificados pela fé [Romanos 5:1] que é dom de Deus [Efésios 2:8], isto é, o ser humano não pode oferecer de si mesmo nada de bom se não for pela Misericórdia e pela Graça de Deus, não somos justos nem podemos nos justificar.

Para ilustrar a diferença entre Justo e justificado, gosto de pensar na diferença entre presunto e apresuntado, ou chocolate e achocolatado. Tanto o apresuntado como o achocolatado só são o que são porque possuem um pouco daquilo que não são. Se tirarmos o pouco de presunto que há no apresuntado o que sobra deve ser horrível para ser comido e o mesmo vale pro achocolatado. É assim com a gente, se for tirada de nós a porção de “justo” que nos é dada pela fé em Jesus, fé que recebemos de Deus por meio da Sua graça, somos horríveis!

Logo, se alguma de nossas orações se revela poderosa e eficaz certamente não é por que somos justos, mas porque quando somos justificados pela fé oramos como Jesus, que é o Justo, e nosso relacionamento com Deus, o Pai nosso que está nos céus, nos torna como filhos adotivos que se recebem algo não porque merecemos, profetizamos, exigimos ou usamos qualquer argumento, mas porque Deus misericordiosamente nos concedeu por Sua Graça.

  • Assuntos: atitude, bíblia, conselho, Deus, esperança, evangelho, fé, graça, Jesus, oração, propósito, reflexão
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