maio
Carne

Quando o espírito não está pronto, a carne é ainda mais fraca.
Dizem que estamos vivendo em um período chamado de pós-modernidade no qual, entre outras coisas, predomina o relativismo (o pensamento de que não existe verdade absoluta) que se mantém graças ao antropocentrismo (o pensamento de que o ser humano é o centro do universo) e ao hedonismo (a busca excessiva pelo prazer como propósito da vida). Mas, será que este comportamento é algo tão recente assim? Sei não, parece que faz um tempo — um bom tempo inclusive, que o ser humano desconsidera a verdade em troca do que é conveniente [João 8:44-47], ignora todas as outras coisas em favor de si mesmo [Tiago 3:14-16] e não mede esforços para encontrar o prazer pessoal [1 Coríntios 10:24].
Pós-modernidade? Talvez seja mais honesto entender que estas ideias são de um tempo bem anterior ao nosso, um tipo de “pré-antiguidade”, pois fazem parte da natureza humana que caiu no pecado e passou para o outro lado de um abismo que agora separa toda a humanidade de Deus [Isaías 59:2]. Isto faz parte de todos que são carnais e por isso andam segundo os desejos da carne, afinal, estes são os que ainda pertencem ao mundo e o mundo é do maligno [1 João 5:19]. Mas, por mais estranho que seja, estes pensamentos também tem moldado o comportamento de muitos cristãos.
Descobri também que debaixo do sol: No lugar da justiça havia impiedade, no lugar da retidão, ainda mais impiedade. — Eclesiastes 3:16
Na verdade, sempre houve pessoas que se diziam fiéis a Deus apenas para usar Seu nome e o nome de Cristo como argumentos para praticar o mal [Tito 1:10-11], pessoas que defendem a liberdade apenas para dar ocasião às vontades da carne, que não servem uns aos outros mediante o amor [Gálatas 5:13], mas buscam interesses próprios.
Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma. — 1 Pedro 2:11
Para estes que se dizem cristãos a Bíblia tem perdido o valor como a revelação da verdade absoluta de Deus, para estes ela serve apenas para selecionar o que é conveniente (relativismo) sendo o resto descartável, o próprio Deus não é mais soberano, mas depende dos humanos (antropocentrismo) para intervir na ordem das coisas com o propósito de cumprir a vontade (hedonismo) daqueles que seguem um conjunto de regras e rituais. Isto acontece o tempo todo, na nossa cara, dentro das igrejas e é defendido por pessoas, às vezes muito próximas a nós, como sendo o evangelho, mas não passa de um outro evangelho que não é o genuíno, mas que é amaldiçoado [Gálatas 1:8] segundo o apóstolo Paulo.
Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo. — 1 João 2:16
E enquanto este pensamento cresce no meio evangélico, aumenta o desprezo pela Graça de Deus e pelo Evangelho puro e simples de Cristo, a Igreja deixa de ser a reunião dos que desejam entregar algo a Deus para se tornar um local de quem apenas busca algo dEle, crer e não ver se torna algo reservado aos considerados fracos, quem prefere ser alguém em Deus em vez de ter algo de Deus é uma vergonha, pois não têm fé! Fica assim armado todo o cenário necessário para uma horda de aproveitadores que abusa de poder [1 Pedro 5:2], muitas vezes autocrático, sobre os ingênuos ou gananciosos, prometendo o que Deus não prometeu. A Palavra fica deixada de lado por muitos, que optam pelo caminho fácil da experiência transcendental que alucina e remove a razão do culto. É o vale tudo imposto pela carne daqueles que buscam servir a si mesmos em vez de servir ao próximo como é o desejo do Espírito.
…pois todos buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo. — Filipenses 2:21
Deus não é mais o fim, mas o meio para que a vontade do homem seja satisfeita. Na verdade, pouco importa a vontade de Deus e talvez haja mais lucidez entre os ateus que rejeitam esta caricatura de Deus, uma divindade fraca e submissa, que é retratada como um tipo de garçom que serve ao homem em troca de 10% do serviço!
Há muita gente que passa a vida fazendo coisas boas e legítimas – porém o Senhor não é o primeiro para elas. Ele não é o centro de suas vidas. Se Ele fosse, não O colocariam de lado. Elas achariam tempo para ficar com Ele! Alguns crentes ficarão de fora dos céus, não devido às coisas más que fizeram – mas porque ficaram tão preocupados em realizar coisas boas e legítimas, que negligenciaram aquelas que realmente contam. — David Wilkerson
É verdade que muitos se encontram nesta situação cheios de boa intenção, convencidos de que estão fazendo o bem, mas não, pois fazem apenas procurando benefício próprio. Como cristãos, precisamos parar e refletir sobre qual tem sido o verdadeiro lugar de Deus nas nossas vidas, qual tem sido a influencia do Espírito em nós. Temos sido convencidos do pecado, do juízo e da justiça? Temos servido ao próximo em amor? Ou temos cedido ao que nos dá prazer, ao que é conveniente para nossa carne?
Deus nos livre, por sua misericórdia, de cairmos nas armadilhas da conveniência, do egoísmo e da busca pelo prazer como propósito de vida. Deus nos livre da nossa própria vontade. Deus nos livre da nossa carne.

É exatamente desta maneira…"Há muita gente que passa a vida fazendo coisas boas e legítimas – porém o Senhor não é o primeiro para elas. Ele não é o centro de suas vidas. Se Ele fosse, não O colocariam de lado. Elas achariam tempo para ficar com Ele! Alguns crentes ficarão de fora dos céus, não devido às coisas más que fizeram – mas porque ficaram tão preocupados em realizar coisas boas e legítimas, que negligenciaram aquelas que realmente contam — David Wilkerson". Senão negligenciarmos nossa carne, ficaremos fora do Céu! E isso é MUITO sério!!!
Tão triste quanto verdadeiro.