
Texto gentilmente cedido pelo autor convidado Marcus Castro
É triste ver como as pessoas que frequentam igrejas gostam de se sentirem no cabresto. Um fato contemporâneo, experimentado por muitas igrejas no Brasil, é ver as congregações esvaziarem e viverem uma espécie de crise quando assumem o compromisso que pregar o que realmente seria a Graça. Infelizmente, religião para funcionar tem que pegar pesado.
Muitas regras, liturgias e eventos na igreja conduzem o cristão, ao longo do tempo, a fugir do convivo social normal, resultando em “vida santa”, a vida separada. Distanciar o homem da vida cotidiana com pessoas comuns gera “cristãos exemplos” pela falta de oportunidade óbvia de não sê-lo. Grosso modo, isso é como criar cristãos artificiais, que quando enfrentam o “pecado” ficam desesperados pela falta de capacidade de confiar nas suas decisões, que demandam de princípios para embasa-las.
O homem pós-moderno entra em choque anafilático quando se percebe sem regras, sem culpa, sem coleira. A verdade experimentada hoje é que o povo não gosta de pensar e nem ser responsável por aquilo que faz, por isso terceiriza a responsabilidade da própria vida! É muito mais fácil atribuir toda a culpa do que se faz aos outros e quando se fala de fé é a mesma coisa.
A Graça de Deus, o favor não merecido, é a principal doutrina da igreja de Jesus Cristo, em tese. Mas quando uma denominação explora-a demais em suas pregações acaba causando uma crise sem tamanho na igreja. As pessoas não conseguem conviver com a responsabilidade de que independente do que elas façam Deus continua as amando. Isso derruba a doutrina que “quem pecar vai pagar, quem pecar vai morrer”. É aquela velha história, a liberdade traz grande responsabilidade e nem todos querem essa tal responsabilidade pra si.
Desconstruir a religiosidade e a legalidade é um dos principais objetivos da igreja que adota a Graça como uma bandeira clara. Por exemplo, um pastor que destrói a cultura de que assumir cargos na igreja e se manter neles é o privilégio de quem tem uma vida dita “reta” sofre com o descrédito do próprio rebanho. No senso comum “igrejeiro”, líder que está em pecado deve sair do ministério e disciplinado (coitados das pessoas que compõem o ministério de louvor: carregam o julgo de ser vitrine da igreja). Pastores do “senso comum” são bem sucedidos. Como tem poder de “juiz” criam medo nos fieis que por sua vez lutam para se manter na lei. Mas o pastor que adota a Graça de Jesus para suas decisões… Coitado.
Conversando com um “amigo de igreja” perguntei como ele estava na congregação. A resposta me surpreendeu “Tô meio assim… Depois que lá na igreja ficou todo mundo ‘livrinho’, tudo desandou”. Logo percebi que a Graça não o alcançou e a Lei ainda é pra ele o termômetro de fé. Coitado. Isso é uma reação cada vez mais comum de quem não foi alcançado pela Graça. Mudar de igreja e se sentir no cabresto, na regra, é uma atitude de “crente” que se pauta no antigo testamente ou que simplesmente não entendeu ainda o propósito de Cristo, achando que o que ele faz ou deixa de fazer tem reflexo direto na manutenção do amor de Deus.
“É mais fácil viver uma igreja religiosa onde tudo está aparentemente ‘no controle’, mas não é saudável, pois as pessoas não estão sendo cuidadas, preferem usas máscaras para não sofrerem punições”, indignado comenta o Pr. Hildebrando Cerqueira, pastor Batista, de Fortaleza CE. “Qual é a crise da Graça? A Graça leva as pessoas a tirarem as máscaras. Isso gera um problema, um bom problema: cada um sabe, de fato, quem é o outro, as feridas são expostas.” completa. As ideias do Pr. Hildebrando são revolucionárias na realidade da igreja, ele se apoia no real conceito da Graça, onde o pecado não deve ser apenas combatido e sim tratado.
Por fim, acredito que quem foge de igrejas que trabalham a Graça da maneira mais correta são pessoas que não estudam a bíblia, de fato, sendo ignorantes na fé (acho que a maioria) ou simplesmente são fracas e preferem usar máscaras em vez de ter uma vida espiritual madura.
