
Quem me dera poder olhar nos olhos daqueles que carregam sobre si o título líderes de igreja e não me entristecer por não perceber Cristo na maioria deles. Muitos simplesmente não vivem para Cristo, mas vivem de Cristo, fazendo dEle um mero objeto de pura exploração comercial.
Não dá para ignorar a realidade de tantos irmãos que têm sido privados de experimentarem a plenitude de um relacionamento completo com Deus porque são roubados em sua fé, por serem induzidos a trocar o Evangelho de Cristo por um conjunto de superstições criadas por gente que não se arrepende por conduzi-los ao erro de uma nova escravidão por pura ganância. Mas, para uma maioria, parece que está tudo bem. Está?
Só não se entristece com o que acontece quem é realmente ingênuo, ou quem escolhe a ignorância por considera-la uma benção, como o personagem Cypher no filme “The Matrix”, porque “quanto maior o conhecimento, maior o sofrimento”, diz o Eclesiastes. Assim, só é possível entender quem não se entristece com estas situações pela hipótese de nunca terem tido um encontro real com o Deus que se revela a nós em Sua Palavra, por meio de Cristo.
Não há dúvidas de que gente que não lê a Bíblia se torna presa fácil destes cães famintos, como são chamados pelo profeta Isaías. Onde falta conhecimento sobra sofrimento, como também disse o profeta Oséias.
O homem verdadeiramente sábio é aquele que sempre crê na Bíblia contra a opinião de qualquer outro homem. — R. A. Torrey
Posso dizer que não sou tão dedicado ao estudo da Bíblia, como gostaria, mas aprendi que para conseguir enxergar as diferenças entre a realidade da vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável, e as ilusões deste mundo depravado, devo olhar através das Sagradas Escrituras, como uma lente que corrige o foco e ajuda a ver com clareza o que está borrado. Cada vez que me atrevo a fazer isso lamento por ver quantos estão cativos numa religião pautada pela idolatria de homens que manipulam o próximo por meio de ameaças supostamente espirituais para que ser servido. Já não são mais escravos do pecado, mas, estão se tornando escravos de um novo senhor, a quem devem servir com seu tempo, seus bens e sua devoção, sendo ensinados que quanto mais derem para este senhor, mais receberão quando Deus permitir que também sejam senhores. É a mistura venenosa da ganância com o orgulho e o ego!
Dar é o verdadeiro ter. — C. H. Spurgeon
Definitivamente não se parecem com Jesus, talvez nem mereçam ser chamados cristãos, pois o Rei absoluto sobre todas as coisas, jamais pediu para ser servido, mas para ser seguido. E aqueles que seguiram a Cristo, viram pelo exemplo de Sua vida que Ele foi servo e nos ensinou a também servirmos cuidando dos que necessitam de cuidado e convidando-os a serem discípulos para que também possam servir. Este é o propósito de Deus para os que seguem a Jesus, que estejam satisfeitos nEle e sirvam aos que necessitam, sem interesse, mas com profunda compaixão e amor. Jesus nunca foi um ídolo, nunca quis se promover, jamais aceitou qualquer benefício ou vantagem como pagamento daquilo que era o Seu ministério, mas revelou-se um Rei servo, soberano e sofredor, que se deixou levar até a cruz para que tivéssemos acesso a uma nova vida.
Mas não é isso que vemos, ao contrário, aqueles que não se fazem de cegos já estão cansados de ver lobos devoradores se fartando de ovelhas que deveriam ser cuidadas e não exploradas. São líderes que se colocam como mais importantes e maiores que seus irmãos, que escolhem os melhores lugares, que se separam do humilde e exploram o fraco.
Uma igreja em que seu líder mantém uma vida luxuosa enquanto seus irmãos sofrem, não é uma igreja, é uma colônia de exploração do Diabo, uma fábrica de gente iludida por falso evangelho, escravos de quem não quer saber da cruz, seja a cruz de Cristo ou a própria cruz, preferem receber, aqui e agora, seus galardões e rejeitam a Cristo por fama ou bens.
A Igreja é um corpo, não um negócio; é um organismo, não uma organização. — Rick Warren
E quem ousa denunciar estas práticas, por mais que esteja claro nas Escrituras o tamanho absurdo que estes ladrões fazem contra Deus, está condenado a perseguição. Eles possuem o palco, são donos dos microfones e ameaçam quem os questiona com supostas maldições ou com chantagens que envolvem trocas de favores, títuloe e cargos. Agem como verdadeiros bruxos ao pregarem que manipulam poderes espirituais, ou cometem blasfêmia ainda pior quando defendem que possuem Deus em suas próprias mãos e que podem manipular a Sua vontade.
Não tardam a perseguirem os que se opõem ao erro, tratam com violência os que, assim como o profeta Elias, ousam denunciar os postes ídolos para o povo a fim de trazê-los de volta ao centro da vontade de Deus! Perturbadores de Israel, perturbadores da Igreja. Assim são chamados os que fazem o papel de profetas nos nossos tempos. Como o Rei Acabe, estes líderes foram seduzidos e são controlados pela própria vaidade, a Jezabel que habita o interior de quem desistiu de lutar contra a própria carne.
Conseguem ser piores que o próprio Diabo que seduziu Eva a pecar oferecendo a ela a capacidade de ser igual a Deus, pois fazem dos que expõe a verdade inimigos dos que buscam a Deus lançando sobre eles a reputação de diabos para justificar seus pecados. Demonizam os outros para desviar a atenção de sua própria maldade que se revela na injustiça e no abuso.
A maior forma de louvor é o som dos pés consagrados buscando os perdidos e os fracos. — Billy Graham
Busquemos os Elias de Deus, ouçamos os Elias que nos chamam ao Evangelho do amor e não da posse, ao serviço sem interesse e não a exploração do povo em benefício próprio. Que sejamos para o nosso tempo como Elias foi no tempo dele, que nosso cristianismo possa alcançar o que sofre para que ele receba alívio, que chegue onde há conflito para que se manifeste a paz, que chegue onde há a indiferença para que manifeste o amor, que chegue onde há a ganância para que se manifeste a generosidade.
Que o mundo olhe para todos nós e veja a Cristo e veja a este crucificado como o maior ato de doação a ser repetido por todos os que são cristãos de verdade.

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