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Alguém – cheio de razão – afirmou uma certa “verdade pessoal”, para se defender ou se justificar. “— Só Deus pode me julgar!” disse, mas e se estivesse perguntando. Só Deus pode me julgar?
Antes de continuar explico: este é o primeiro artigo de uma série na qual pretendo questionar se há verdade em algumas afirmações defendidas como o que o cristianismo deveria ser na atualidade, ou melhor, na chamada pós-modernidade. Continuando…
Hoje tudo é relativo, nada é absoluto! E em tempos de “pós-qualquer coisa”, como era de se esperar, chegamos ao “pós-cristianismo” em que a Bíblia – e muito do que ela diz – perde espaço para razões individuais que são relativas, nas quais não há nada absoluto. Não há afirmações verdadeiras, há apenas pontos de vista diferentes e muitas vezes tendenciosos.
Dizer que só Deus pode julgar não é nenhuma afronta. Jesus nos aconselhou para que não julgássemos a fim de não sermos julgados [Mateus 7:1], Paulo diz que somos indesculpáveis quando julgamos os outros, pois praticamos as mesmas coisas [Romanos 2:1] e Tiago disse que só há um juiz [Tiago 4:12]. Entre várias referências estas, talvez sejam as mais comuns para argumentar que só Deus pode julgar.
Por outro lado, Jesus ensinou que não devemos julgar pela aparência e que devemos ser justos quando julgarmos [João 7:24] e Paulo orientou aos cristãos de Corinto que julgassem uns aos outros [1 Coríntios 5:12] para evitar o envolvimento com pessoas que se dizem cristãs, mas praticam coisas reprovadas por Deus e com isso podem contaminar toda a Igreja.
Nos textos originais das referências acima, onde lemos “julgar” encontramos a palavra grega kriðnw (krino) que, segundo o The New Testament Greek Lexicon, basicamente, significa: “ter opinião, sentenciar ou condenar”. E é justamente sobre sentenciar e condenar que lemos no contexto em que estão os versículos que reprovam o julgamento hipócrita no qual alguém condena outro, mas na essência é igual a ele.
Deus realmente não deseja que sejamos intolerantes uns com os outros proferindo sentenças e condenações, também não permite que tomemos o lugar de juiz que pertence só a Ele. Mas, nos orienta positivamente a ter opinião sobre o que nos cerca, julgando com responsabilidade e discernimento, o que só é possível por meio da Sua Palavra, e desde que não seja para condenar o próximo!
O julgamento motivado pelo amor e baseado na Palavra de Deus a fim alertar o próximo, resgatá-lo do pecado, ajudá-lo em situações difíceis e orientá-lo a deixar o engano é, acima de tudo, uma obrigação de todo cristão [Tiago 4:17].
Só Deus pode julgar? Não. Só Deus pode condenar!

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