• Blog
  • Sobre
  • Contato
Artigos Insensível
29
jun

Insensível

por André Persil | Nenhum comentário
Insensível

insensivel

O discipulado é uma responsabilidade cristã, mas não é uma licença para imposições que desrespeitem a individualidade do discípulo. Isto não é discipulado e manipulação!

Quando Jesus iniciou seu ministério chamou 12 indivíduos diferentes para serem seus discípulos. Cada um deles possuía história de vida e experiências religiosas próprias, particulares.

Nenhum era igual ao outro, nenhum era igual a Jesus.

Depois de 3 anos sendo discipulados por Jesus durante seu ministério, dos 11 discípulos que permaneceram, nenhum deles era o mesmo de antes, todos tinham sido transformados de alguma forma pela mensagem de Cristo.

Mas continuavam diferentes entre si e ainda diferentes de Jesus.

Não é de hoje que vemos líderes tentando fazer cópias de si mesmo nos outros e chamando isto de discipulado, muitas vezes ignorando que cada um de nós é único diante de Deus, incluindo nossas virtudes, limitações e necessidades.

Não podemos esquecer a “bronca” que Pedro deu nos fariseus convertidos da igreja de Antioquia [Atos 15:10] que colocavam sobre seus discípulos um jugo que ninguém conseguiria suportar, a circuncisão.

Não cabe aqui descrever o desconforto e os problemas decorrentes da circuncisão em adultos num tempo e lugar sem os recursos médicos e de higiene que temos hoje. A questão é que estes fariseus (judeus) convertidos acreditavam que seus discípulos (não judeus, ou gentios) deveriam ser iguais a eles.

Certamente, muita gente se tornou insensível para a fé por causa desta imposição e o mesmo ocorre hoje quando alguém desrespeita a individualidade do outro e tenta fazer de seu discípulo uma cópia de si.

E se tem algo que pode ser até mais claro do que escrevi é a música do vídeo abaixo, Numb do Linkin Park, afinal as “músicas do mundo” pode sim, ser edificantes! Preste atenção na letra:

 

Esclarecimento

Reforço que este é um blog pessoal no qual expresso esclusivemente minha opinião.

No caso deste artigo, deixo claro não acreditar que devemos classificar todas as coisas “do mundo” como malignas, tornando automaticamente qualquer coisa que se faça dentro das igrejas de sagradas. Pelo menos, não assim. E poderia citar vários exemplos, bíblicos e não bíblicos, em que o oposto ocorreu, mas não vem ao caso.

Como ocorreram algumas manifestações relacionadas ao incômodo do uso de uma música fora do circuito evangélico, torna-se necessário atentar ao fato de que a banda passa todo o clipe dentro de uma igreja. O que será que isto significa? Será que seu compositor não guarda alguma mágoa associada à igreja? O que há de proveitoso nisso? Esta é a questão!

Não podemos entender a música como o relato de alguém que acabou insensível para a fé, como diz a própria letra, por causa das imposições de lideranças que põe sobre o evangelho e o exercício da fé um jugo tão pesado que nem elas mesmo conseguem suportar? Será que a letra e o contexto do vídeo não pode nos levar a uma reflexão sobre como tratamos nossos irmãos que tem o desejo de participar de nossos fechados círculos religiosos e exigimos deles um modelo que satisfaça aos nossos padrões humanos e que muitas vezes nada tem a ver com o padrão de Deus? Pois, isto não era uma coisa que o próprio Cristo criticava com frequência nos líderes religiosos de Seu tempo e Pedro demonstra ter aprendido bem no texto citado acima [Atos 15:10]?

Quanto a aniquilar tudo o que é produzido fora da igreja, classificando como profano, talvez seja uma posição bastante contraditória para os evangélicos contemporâneos que tem bebido desta água com mais frequência do que percebem ao trazer para as suas práticas comportamentos que estão definhando a identidade da igreja sobre o pretexto de contextualização. Isto sem mencionar as inúmeras citações filosóficas e poéticas que são usadas nos púlpitos com cada vez mais frequência.

Pessoalmente, não entendo que seja errado aproveitarmos a produção de conhecimento e sabedoria por meio da ciência, filosofia, poesia e artes que acontece há séculos fora das igrejas, mas, que tenhamos filtros baseados em princípios bíblicos que nos deem o discernimento necessário para avaliarmos o que é bom para o retermos e o que é mal para o lançarmos fora.

Caso contrário estamos praticando alienação, e, sem falsa piedade, alimentando um sentimento que tanto afasta o Homem de Deus como consequência do Pecado original, a culpa.

  • Assuntos: fé, musica, paradigma
  • 0

Nenhum comentário até agora

Leave a Comment

Jamais usaremos seu e-mail para SPAM.

Seu e-mail não será usado para SPAM.

Espalhe este artigo

[social4i size="large" align="float-left"]

Espalhe o Fé Simples

Recomendar no Google

Tags

amor apologética atitude blog bíblia carne conselho cruz desabafo Deus esperança espírito evangelho fome fé graça igreja Jesus justiça legado liderança louvor mesagem mundo musica oração paradigma pecado pensamentos perdão politica propósito reflexão reforma salvação serviço tradição verdade vida

Fé Simples por e-mail

Quer receber as novidades do Fé Simples no seu e-mail?

Licença Creative Commons
Conteúdo sob a seguinte Licença Creative Commons.