out

Em mais um aniversário da Reforma Protestante, podemos refletir sobre o cristianismo atual e (por que não?) questionar se precisamos de uma nova Reforma.
Há 495 anos, em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero publicava nas portas da igreja do castelo de Winttenberg (foto acima) suas 95 teses que questionavam alguns procedimentos da Igreja Católica que eram contrários aos princípios bíblicos. Muito resumidamente, tudo começou com estudos bíblicos que geraram alguns questionamentos, interpretados como rebelião, que se tornaram na Reforma Protestante. Graças a Deus!
Martinho Lutero não era um rebelde, sua intenção inicial não era dividir a igreja, antes, ele queria chamar sua liderança para dialogar e discutir alguns pontos que ele julgava não ser parte da vontade de Deus revelada em Sua Palavra.
Bastante tempo passou e o cenário acima se repete ainda hoje em inúmeras comunidades, reafirmando que a Reforma é mais que um momento histórico que ficou no passado, ela é atual, contínua e necessária:
Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est — Gisbertus Voetius (1589-1676)
A sentença acima (em latim) pode ser traduzida como “A Igreja é reformada e está sempre se reformando“, é um processo que não tem fim, mas, não significa que a Igreja está incompleta ou que deve mudar para acompanhar as todas as transformações de seu tempo, não é disto que se trata, mas é uma afirmação de que a Igreja deve estar sempre voltada à Palavra para evitar que novos desvios aconteçam.
Dizem que se tornaram heróis os covardes que não tiveram coragem de fugir. Como consequência de sua posição diante dos desvios, contradições e desmandos da igreja Lutero enfrentou perseguição, acusações e precisou da ajuda de amigos para que não fosse morto. Lutero teve de fugir e se esconder, só assim ele pode dar continuidade ao seu trabalho e trazer a igreja de volta ao verdadeiro Evangelho.
Foi preciso muita coragem para que Lutero rompesse com o sistema religioso a que pertencia e enfrentasse todas as consequências, permanecendo firme na Palavra:
A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço. — Martinho Lutero
Afinal, de que valeria ganhar o mundo, perdendo aos poucos a própria alma? No fim, Lutero não reformou seus líderes, mas saiu de onde estava, permitiu ser reformado e assim alcançou a outros.
É fácil observar ao redor e identificar que mesmo entre os “evangélicos” ainda existem indulgências que não são compradas apenas com dinheiro, mas com consciências que muitas vezes são entregues em troca de cargos, títulos e favores espirituais. E nem é preciso mencionar que quem ousa questionar tais práticas corre sério risco. Também é igualmente fácil transferir a culpa por estes abusos e desvios para um sistema. Difícil mesmo é assumir que a Reforma só é necessária para reduzir, senão eliminar, as influências do fator humano na condução da igreja e na prática da fé cristã, colocando em evidência a importância da Palavra.
É preciso coragem para manter nossa consciência íntegra diante de qualquer sistema, sem abrir mão das verdades divinas reveladas na Palavra. Lutar contra um determinado sistema religioso talvez não seja mais o objetivo da Reforma, o mais provável é que nós sejamos este alvo. Não precisamos de mais uma reforma institucional, mas de reformas pessoais, íntimas e particulares. É necessário reformar a si mesmo e manter-se em constante reforma se quisermos viver um cristianismo bíblico.
Que Deus nos ajude em nossa própria reforma, que consideremos a importância de questionar se não nos tornamos meros repetidores de coisas que não poderíamos concordar por serem contrárias aos princípios bíblicos. Que avaliemos se não estamos nos sujeitando a isto com a intenção de, talvez, um dia liderar alguma mudança, pois estaríamos apenas prostituindo nossa consciência, perdendo tempo e confundindo orgulho com fé, piedade e obediência.
De fato, se Deus nos quer para alguma nova Reforma ela será pessoal.

Fazer uma reforma institucional hoje é muito difícil até porque existem milhares de denominações, mas não é impossível. O que podemos fazer é irmos nos reformando dia após dia e não deixar que o sistema nos leve para o lado dele.
Esta é a ideia. 🙂
Excelente texto, e eu creio que já está acontecendo uma "nova reforma", sem que nós déssemos conta, o Espírito Santo já levantou, não 01, mas muitos "Luteros" da atualidade e o convite para voltar a palavra está sendo levado aos quatros cantos, inclusive com ajuda da internet!
Também tenho observado isto.
A Reforma necessária no momento está em nossos corações, porque na época da inquisição as pessoas eram punidas com a morte e hoje vivemos em uma democracia.
Existem varias denominações que agradam a gostos variados, por isso nossos corações devem ter uma reforma, o cristianismo não deve ter a nossa cara, mas nós devemos imitar a Cristo.
Lutero fez uma coisa grande, que talvez naquela época fosse o melhor método, mas hoje podemos ir até os nossos líderes e conversar sobre isso, o que muitas vezes faltam para as pessoas são argumentos para provar a realidade de suas ideias.
Considerando o contexto político de nosso país talvez possamos dizer que vivemos uma democracia.
Mas, se considerarmos os modelos de condução adotados por algumas lideranças evangelicistas e suas denominações fica evidente que predomina o discurso autocrático.
Ao estudar a Reforma, ainda que superficialmente, vê-se que Lutero não escolheu o melhor método mas foi obrigado a seguir pelo único caminho.
Se no início sua proposta era conversar, ao final não havia outra opção além de romper com os líderes de um sistema religioso mais interessado em seu poder político que em Deus.
Ainda sobre a Reforma, para Lutero não faltaram argumentos, já para seus líderes faltou disposição em considerar o que ele argumentava.
Talvez isto aconteça hoje, falta disposição ou interesse de certas lideranças em ouvir os outros por motivos que só Deus sabe.
Não há necessidade de uma nova reforma, que é preciso que as igreja reveja seus conceitos, suas doutrina e veja se continuam à luz do evangelho, caso não, precisa retorna a origem do cristianismo bíblico deixando as heresias de lado.
Isto é "Reforma". 😉
O evangelho puro e simples foi deixado de lado às pessoas estão em busca de tudo, menos viver o evangelho verdadeiro onde Deus é o Centro de Tudo. Muitos “evangélicos” não se importam em examinar as Escrituras, aceita todos os tipos de heresias que são oferecidas, músicas antropocêntricas, meia ungida, rosa ungida, fronha ungida, cd ungido e uma busca desenfreada por coisas efêmeras, buscam ”sentir” algo sobrenatural e acabam sendo manipuladas emocionalmente e acreditam que isso é estar próximo de Deus(Como se a bíblia não fosse suficiente), acham que o agir de Deus é as pessoas pularem sem controle, caírem no “espirito” com sopros de “autoridades espirituais”, acreditam em diversas bizarrices em nome da “contextualização” , cheiram a bíblia ao invés de ler, buscam um milagre “especial”, um milagre “inédito “, querem triunfar e ter uma “vitória com sabor de mel” e acreditam que a grande vitória do Cristão é conquistar riquezas aqui na terra por que é “cabeça e não calda”. Salvação, vencer o pecado, o Melhor de Deus(Leia –se Jesus Cristo) que já veio e a Grande Vitória na Cruz do Calvário parece que para esses “evangélicos” não é importante , acredito que se fosse citar tudo que está acontecendo hoje no meio evangélico seriam paginas e paginas, mas diante de apenas algumas coisas aqui citadas Acredito com toda Certeza que precisamos de uma Nova Reforma.
SOLA SCRIPTURA
De forma alguma pretendo desmerecer a obra dos grandes reformadores como Lutero e Calvino, e de fato foi algo extremamente benéfico, visto que colhemos frutos até hoje, mas o próprio termo "reforma" não encontra amparo nas Sagradas Escrituras. Sempre que alguma coisa estava indo mal com o povo de Israel, Deus levantava alguém falando em Restauração, e esse é o ponto chave, pois reforma é o ato pelo qual corrigimos imperfeições ou adequamos algo a nossas necessidades, ao passo que restauração é quando corrigimos imperfeições para retornar ao estado original. Creio que todos esses enganos e maus hábitos que vemos em meio ao povo de Deus são consequências da reforma (ato de retirar aquilo que parecia, e de fato era, errado e adequar ao nosso padrão) quando, creio eu, o propósito de Deus era passar da Reforma para a Restauração! Ou seja, restaurar a Igreja ao modelo bíblico neo-testamentário apresentado no Livro de Atos e nas cartas de Paulo.
Graças ao Deus Eterno pela Reforma Protestante, mas nós, a Igreja viva de Cristo, estamos 495 anos atrasados no propósito!
Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma ; Jeremias 6:16
Christiano, concordo com o que postou, mas faço uma ressalva: "reforma protestante" foi um termo pejorativo dado pela Igreja Católica Romana e não pelos considerados "reformadores". É que o nome acabou "pegando". Mas realmente precisamos ser restaurados, necessitamos urgentemente voltarmos à união perfeita com Deus nosso Senhor.
Gostaria de me retratar sobre meu comentário anterior neste post.
Nos últimos dias tenho vivido algo diferente, pedi à Deus que falasse comigo através de uma de duas pessoas, não gosto de estipular coisas pra Deus, mas por falta de conhecimento estipulei as duas pessoas.
A primeira me evitou ao máximo, limitou a conversa à apenas algumas palavras, um detalhe, a outra eu não conhecia pessoalmente, mas acreditei que Deus já tinha marcado a hora exata para esse encontro acontecer.
Foi no último sábado, um irmão que tem um testemunho maravilhoso, chegou da igreja com o meu pai, e respondeu todas as perguntas que fiz, isto é, depois de 10 anos como evangélico, eu jamais havia sentido algo assim.
Dessa forma, vejo que as igrejas tem pessoas sérias, mas ainda assim precisa de uma reforma. Ninguém mais se ajoelha humildemente pra perguntar o que Deus quer para a obra dEle, vejo apenas pessoas se reunindo para decidir o futuro da Igreja como se ela fosse uma empresa, sem incluir a vontade do Deus Eterno, por isso sou sim a favor de uma nova reforma.
Edson, fico feliz por ler seu relato.
Mas, não estou feliz por você ter mudado de opinião, porque isto pouco importa, e sim por ter experimentado algo de Deus que mudou alguma coisa dentro de você, e isto é muito importante.
Desejo que viva sua própria Reforma, de dentro pra fora, concedida pela Graça de Deus e operada pelo Espírito Santo por meio exclusivo da Sua Palavra cumprida no sacrifício de Seu filho Jesus Cristo!