
Igrejas sem-igreja são as fábricas dos desigrejados
Não sou o que chamam de sem-igreja, ou desigrejado, mas respeito quem carrega em si este rótulo seja por opção própria ou por imposição alheia a sua vontade. Respeito os sem-igreja porque vejo como os ecos dos que pregam, escrevem e estudam sobre quem confessa a Cristo, mas não consegue mais ir à igreja, são amplificados até se tornarem em julgamentos, sentenças e execução destas sentenças. Sem chance de defesa, são julgados por mutilar o corpo de Cristo, são considerados culpados pela desmoralização da igreja institucionalizada e por isso, são condenados a viver o inferno nesta vida e a morrer no inferno da eternidade.
Muitos falam sobre eles, mas poucos são os que se importam em ouvi-los de verdade e menos ainda os que querem entende-los. Muitos apenas defendem instituições sem considera-las parte responsável pela opção em buscar alternativas para comunhão com Deus e com outros irmãos.
É provável que o que eles têm a dizer não possa justificar esta escolha, mas com certeza explica muita coisa, inclusive que há mais gente sem-igreja dentro das igrejas do que fora delas. Sim, talvez eles sejam o mais corajosos por recusarem participar de um sistema de poder e exploração que alguns insistem em chamar de igreja, mas que pouco – ou nada – tem de serviço e submissão. Talvez sejam eles os verdadeiros protestantes, aqueles que entendem que a Igreja, corpo de Cristo, está acima de qualquer igreja que não consegue ultrapassar a barreira de instituição humana e por isso protestam.
Talvez sejam eles os únicos que ainda não se conformaram com este mundo de méritos e deméritos, e esperam conseguir encontrar uma igreja em que pensar não seja pecado, em que discordar não seja desrespeito, em que ninguém seja sobrecarregado com sacrifícios de tolos, em que ninguém se canse de ser oprimido em serviços inúteis, em que consigam se sentir em casa (na casa do Pai) e não em uma empresa, em que pessoas sejam mais importantes que números, em que o objetivo maior seja salvar vidas e não gerar receita, em que a Glória de Deus não seja atribuída a homens e instituições, em que a Graça de Deus não seja trocada por obras humanas, em que o sacrifício de Cristo e a revelação da Bíblia sejam suficientes, em que a comunhão entre os santos seja sincera e não um amor fingido baseado em interesses pessoais.
Não faltam exemplos de instituições que se dizem igrejas e que no fundo não passam de um sistema que explora e distorce a fé, estes são os que negam e rejeitam o corpo de Cristo, desmoralizam a Igreja e a tornam irrelevante em um mundo que carece de sentido e estabelecem paraísos pessoais nesta vida sem considerar a morte eterna. Como corpos sem espírito, são cadáveres, igrejas sem Deus, igrejas sem amor, igrejas sem pessoas. São igrejas sem-Igreja produzindo pessoas sem-igreja em escala industrial.

Minha situação possui algumas semelhanças com a que foi descrita neste post. Apesar de não ser membro registrado de nenhuma instituição, não me considero um "desigrejado", mas sim um "desdenominacionalizado", pois estou praticamente durante todo o tempo me relacionando com outros cristãos. Fiz de minha micro empresa um lugar de evangelismo, inclusive uma sala foi reservada para montagem de uma mini biblioteca bíblica que já está em funcionamento. Não sou contrario, e nem condeno os que participam da membresia de alguma denominação. Apenas não concordo em colocar o culto tradicional e os eventos festivos acima do cuidado com os "órfãos , viúvas desamparados, principalmente os que estão mortos em delitos e pecados. Apenas não concordo com a pregação de uma santidade que não possuímos. Apenas estou cansado de ouvir pregações sobre os pecados dos ímpios, sem declarar os nossos. apena descobri que sou muito pecador para frequentar um lugar onde todos são santos.
Enfim, agradeço a quem escreveu este artigo. Pelo menos para mim, foi um refrigério.
Fabio, cristaodebereia.blogspot.com
Fábio, fico muitíssimo feliz em saber que o que escrevo de alguma forma serve para os propósitos de Deus na vida de quem busca agradar a Deus mais que aos homens. Entendo que quem abre mão da instituição, sem abrir mão da comunhão e do serviço, tem muita coragem e muito provavelmente é muito mais Igreja vive e vive muito mais Igreja do que quem vive em função de prédios e líderes. Deus o abençoe!
Excelente post!
Identifiquei-me e consolei-me muito com esse texto. Muito obrigado.
My recent post Deus decreta o pecado sem pecar
Obrigado. Soli Deo Gloria!
Espero que possa conhecer um dia a igreja Betesda. Quando você escreveu o penúltimo parágrafo, vi que ela se encaixava perfeitamente. Vale a visita.
Belo texto.
Piero, obrigado pelo convite. Conheço um pouco sobre o Pr. Ricardo Gondim e a Betesda, mas nunca fui lá, ainda.
André, mandou bem! É isso mesmo, devemos “protestar” contra os abusos eclesiásticos e heréticos das instituições religiosas sabendo que: templo, altar, sacerdote, casa do tesouro, dízimos, ofertas, salário de pastores, etc… não são práticas neotestamentárias, porém, não é o caso de se sair da “igreja”, já que somos o corpo da igreja. É válido combatermos o bom combate, apontando os erros e abusos, mas sem perder a comunhão com nossos irmãos.
Roberto Nogueira
nogueirapi@hotmail.com