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A carta do Apóstolo Paulo aos Romanos traz trechos tão profundos que quando não são ignorados, são distorcidos. Seria esta a justificativa para a quase extinção do “culto racional” na atualidade?
O Apóstolo Paulo escrevia com propriedade e profundidade. O próprio Apóstolo Pedro, que o conhecia pessoalmente, confessou ter dificuldades para entender algumas coisas que ele escrevia [Pedro 3:16].
Encontram-se em 2 Pedro 3:15-16 três aspectos importantes:
- Nem tudo que Paulo escreveu é complicado, mas
- Certas coisas são “difíceis de entender”, por isso
- Pessoas ignorantes ou instáveis distorcem as Escrituras.
E talvez o terceiro aspecto seja a dica de ouro que Pedro poderia ter deixado para nos ajudar a compreender o que, de fato, ocorre com a Igreja Contemporânea quanto ao esvaziamento de razão no culto.
Pode parecer estranho que se fale em razão em vez de fé, mas ninguém pode negar que a fé em si mesma está condenada a virar crendice, superstição ou fanatismo! Por isso Paulo escreveu à Timóteo que mantivesse a fé e a boa consciência, caso contrário, naufragaria na fé como ocorreu com alguns [1 Timóteo 1:18].
O primeiro versículo do capítulo 12 de Romanos parece guardar um trecho que se não é “difícil de entender” deve ser “difícil de aceitar” justamente por ser muito claro, direto e sem rodeios místicos, tanto que até os mais ignorantes e instáveis teriam que se esforçar bastante para distorcê-lo e pode ser esta a razão para este trecho ser, aparentemente, ignorado por muitos.
Este versículo marca a transição para “parte prática” da carta que começa com uma “parte teórica” sobre a natureza pecaminosa do Homem e o plano de Deus para a Redenção da humanidade, pela Graça, por meio de Jesus Cristo.
Paulo praticamente implora aos cristãos de Roma que sejam um culto racional oferecendo-se como sacrifícios vivos pelas misericórdias de Deus. É um chamando para que os cristãos sejam uma expressão viva de gratidão à Deus servido-O com consciência e entendimento de tudo o que Deus fez para que a Salvação pudesse alcançar aos homens, pela graça e não apenas com gestos pontuais, mas no modo de vida.
Nos primeiros 11 capítulos da carta Paulo nos dá a razão que deve nos motivar a atender este chamado: a misericórdia de Deus em ter nos dado, por meio de Cristo, a chance de voltarmos a ser o que deveríamos ser, mas não ainda somos por causa de Adão [Coríntios 15:22].
Não há nada neste versículo que deixe dúvida sobre o valor do sacrifício definitivo de Cristo [Hebreus 12:9] para a salvação da humanidade. O sacrifício vivo, santo e agradável a que Paulo se refere trata-se do modo de vida que os cristãos devem adotar não se conformando com o mundo, mas transformando-se pela renovação do entendimento [Romanos 12:2]!
Isto mesmo! É preciso que o entendimento seja renovado constantemente para que não caiamos no lugar comum, para que não sejamos meros marionetes a repetir rituais e atos superticiosos, para que não sejamos confundidos pelas distorções das Escrituras feitas por pessoas ignorantes, instáveis ou ainda pior, pessoas gananciosas que buscam benefício próprio.
Culto racional é dar à Deus permissão para transformar vidas começando pelo nosso entendimento que deve ser constantemente renovado pelas Escrituras ao ouvirmos [Romanos 10:17], lermos[note Apocalipse 1:3], estudarmos [Atos 17:11], memorizarmos [Salmo 119:9-11] e meditarmos [Salmo 1:2-3] sobre o que Deus revela em Sua Palavra, pois só assim poderemos “experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

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