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Serviço

Quando realizar parece ser o único caminho para nos sentirmos realizados e produzir se torna o atalho para nos sentirmos mais úteis, é provável que esteja na hora de avaliarmos o quanto o nosso “fazer” está acima do “fazer de Deus”.
Todos nós temos muitas coisas que precisamos fazer, mas, cada vez menos tempo para fazê-las. Estamos acostumados a cobrar e sermos cobrados para fazer o melhor em tudo e em todos os lugares, sempre.
Esta cobrança pode nos dar a sensação de que vivemos em uma panela de pressão que nos espreme e consome nosso curto tempo. Às vezes nos sentimos tão sufocados que nem percebemos o que estamos perdendo da vida. Mas será que é isto que Deus quer para nós?
Esta vida moderna nos engole e nos faz deixar de lado o que realmente importa que é desfrutar as coisas boas da vida, caso contrário seria melhor nem ter nascido (Eclesiastes 6:3). Se pouco a pouco estamos perdendo a sensibilidade para as coisas boas da vida como a natureza e as pessoas que nos cercam, o que podemos dizer sobre a sensibilidade que deveríamos ter em nossas igrejas quanto às pessoas e ao próprio Deus?
Não se trata de uma questão de ser ou não ser útil, afinal, nada do que fizermos poderá ser de fato útil para Deus [Lucas 17:10] e quando fazemos algo para Ele não fazemos para pagar nada ou para receber qualquer recompensa, afinal tudo o que recebemos é pela Graça de Deus, não por mérito!
Se voltarmos nosso olhar para observar como isto ocorre dentro de nossas igrejas veremos que muitos estão envolvidos em inúmeros trabalhos e, não raro, acumulam diversas funções com o desejo genuíno de fazer o melhor para Deus.
Infelizmente, alguns acabam por se perder no meio de tudo, frustrando-se ou frustrando aos outros por não alcançar os objetivos de um determinado projeto ou desafio. Geralmente esta frustração vem não apenas porque falharam, mas porque as expectativas estavam depositadas no método do projeto ou no resultado do desafio. Faltava ouvir e descansar em Jesus. Faltava esperar o que Deus tinha para fazer!
O Evangelho de Lucas narra certa ocasião em que Jesus foi à casa de uma família amiga. Neste relato duas mulheres ganharam destaque pela diferença entre seus comportamentos, pois enquanto uma (Marta) corria freneticamente para fazer o melhor que podia para Jesus a outra (Maria) sentou-se ao pé dEle e apenas O ouvia.
Nenhuma delas estava errada no que fazia, talvez a motivação fosse a diferença. Ao que parece nenhuma delas buscava algo puramente para si. Marta estava dedicada completamente ao serviço para Jesus, ela tentava oferecer o máximo para Ele. Mesmo com tanta dedicação ela perdia a melhor parte, o que Jesus tinha para ela!
Marta serviu com trabalho, obras, atitudes e Maria com reverência, adoração, entrega.
Respondeu o Senhor: “Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. — Lucas 10:41-42
Precisamos saber a hora de parar. Não parar de servir ao próximo e a comunidade da igreja, mas, parar de tentar “abraçar o mundo com as pernas”. Precisamos ter a consciência de nossos limites humanos e de nossa dependência de Deus. Parar de nos envolver em inúmeras coisas ao mesmo tempo apenas para agradar as pessoas, ou a nós mesmos. Precisamos buscar em Deus a orientação sobre o que realmente podemos e devemos fazer. Mesmo que seja uma única coisa, mas que possamos fazê-la bem feito para não atrairmos consequências indesejáveis (Jeremias 48:10).
Precisamos fazer algo para Deus sim. Mas nada do que fizermos pode ocupar o lugar dEle. Devemos saber para que fomos chamados, mas não podemos esquecer de amar a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos que é o nosso chamado.
Nenhuma dedicação ao serviço do Senhor é inútil [1 Coríntios 15:58] desde que seja dedicado a Ele, não podemos confundir a motivação e o objetivo do que Deus nos confia. Se a motivação de nosso serviço não estiver alinhada com a vontade de Deus, de nada nos adiantará tanto trabalho, por mais reconhecido que sejamos por ele, pois o que importa é que Jesus nos reconheça [Mateus 7:22,23] pelo qualidade do que fizermos e não pela quantidade do que fizermos.

Isso tudo é o que estamos vivenciando diariamente, "nada do que é feito pra Deus é inútil" (1 Coríntios 15:58), porem qual era a melhor parte que Marta estava perdendo? (Lucas 10:41-42).
Jeferson, creio que a melhor parte que Marta estava perdendo e que Maria havia escolhido seja justamente a presença de Jesus.
Quando lemos este texto, parece que para Marta era mais importante fazer algo – ou muitas coisas – para Jesus do que parar e ouvir Jesus para saber o que Ele tinha ido fazer na casa dela.