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E quando tudo o que temos de Deus é silêncio?
Em meio a tanto triunfalismo que alimenta nossa sede puramente humana de conquista e poder, nos esquecemos de verificar o quanto há de nós e o quanto há de Deus nos momentos em que declaramos, tomamos posse ou profetizamos nossos desejos. Muitas vezes não nos importamos se nossas confissões positivas tem relação com a vontade de Deus. “Eu quero, eu posso, eu faço… com foco, força e fé!” E Deus com isso?
Com canções extravagantes, palavras de vitória e orações de poder, as vozes vão ficando cada vez mais altas e formam um coro que faz qualquer ambiente parecer pequeno. Então surgem as danças, as palmas, começam as tais rajadas de glória, os sapateados, as ditas profecias, gente rodando com as mãos pra cima. E numa catarse coletiva, dizem que não dá pra saber se a igreja subiu ou se o céu desceu! O microfone fica cada vez mais alto e uma profusão de sons ensurdecedora deixa atordoado quem não entra no coro. E nós com isso? E eu com isso?
Em meio a tanta euforia, quase dá pra ouvir os ecos das palavras do profeta Elias que, debochadamente, pede que os sacrifícios sejam mais extravagantes. Quem sabe assim, seja possível chamar a atenção de um deus que não responde por estar dormindo, por ser surdo ou estar fazendo outra coisa mais importante. Trazendo à memória o que nos contam as Sagradas Escrituras, todas estas coisas não são muito mais parecidas com que faziam os profetas de Baal e Asera do que com os profetas do Senhor?
Não, por mais que possa parecer, não sou um descrente quanto às manifestações do Espírito Santo que age pluralmente pela multiforme Graça de Deus. Creio nos dons espirituais, mas creio que Deus faz o que quer, quando quer, com quem Ele quer. Creio que Deus é quem opera tudo em todos, que é dEle tanto o querer quanto o efetuar e nós não temos poder nenhum para interferir. Mas, tem coisas que é impossível crer que vieram de Deus, tamanha a falta de ordem e respeito.
Infelizmente existe muita gente machucada, decepcionada por ter sido sincera no que pensava ser sacrifício, por ter sido extravagante no que pensava ser adoração, por ter crido com todas as forças no que pensava ser uma profecia, mas no final de tudo deu de cara com um profundo silêncio. De dentro pra fora, tudo o que conseguiu foi silêncio. Gente assim, se culpa ou é culpada pelos outros. Gente assim sofre acusações de falta de fé ou de praticar pecados ocultos. Gente assim acaba como a mulher de Jó, acreditando que tudo o que resta é amaldiçoar a Deus e morrer.
Às vezes só queremos que Deus nos ouça, mas não nos importamos com o que estamos dizendo. Queremos viver o fantástico, ver o sobrenatural. Estamos interessados demais em ter uma experiência, uma resposta, qualquer uma, e não entendemos que o silêncio de Deus é uma resposta.
E no silêncio Deus também opera. Quando estamos livres do triunfalismo, quando somos nós mesmos, despidos de nossos “falsos eus”, quando ninguém nos vê, quando compreendemos a diminuta criatura que somos diante de nosso Criador, no momento do silêncio, na solidão de quem não tem resposta, é que Deus encontra espaço para tratar o mais íntimo do nosso ser, fazendo a vontade dEle, que é boa perfeita e agradável, ser o centro da nossa vida.
Aproveitemos o silêncio. Diminuamos junto com o barulho, para que Deus cresça em nós e se manifeste na nossa essência.

Maravilhoso Texto, Deus o continue guiando meu irmão…
Obrigado. Soli Deo Gloria!