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Texto gentilmente cedido pelo autor convidado Marcus Castro
Se você já tem alguns anos de igreja evangélica e possui senso crítico vai entender bem o que estou dizendo.
Nos últimos anos venho notado que grande parte das pessoas está ‘presa’ a igrejas por causa de estratégias altamente eficazes e subjetivas de manipulação. Sabe aquela pessoa que não concorda com a doutrina e nem com as práticas da denominação, mas que se mantêm na casa por causa dos amigos, do ministério, da liderança que possui, do ambiente e etc? É delas que vou falar.
As igrejas que praticam tais ferramentas são as denominações tidas como congregacionais e que não professam abertamente a teologia da prosperidade.
Os templos com maior visão de ‘crescimento’ têm dado há anos bastante ênfase ao que eles chamam de ‘formação de líderes’, que nada mais é do que a criação de agentes propagadores da visão institucional. Através deles, as ideias da igreja são mais facilmente disseminadas dentro da congregação. Essa prática também cria um exército de indivíduos que literalmente vestem a camisa da instituição, nascendo assim: força de trabalho, multiplicadores de informações, defensores da denominação, baixa qualidade de pensamento crítico (por causa da ‘autoridade’ distribuída entre as ‘ovelhas’) e, é claro, a maior arrecadação de dízimos e ofertas.
Qualquer pessoa que entenda um pouco de psicologia sabe que quando alguém lhe presenteia com um nível de autoridade em um grupo, no caso o cargo de líder, vem com ele sugerido a necessidade de ‘honra’ à quem o concedeu. Esta é a atual estratégia para manter o rebanho de líderes (cansados) com foco na direção da igreja.
Parece que depois de algum tempo o então líder perde naturalmente o entusiasmo por suas funções de propagador de doutrina, tendo em vista que o indivíduo tem que acompanhar uma carta de pensamentos, só podendo mover-se neles. A principal problemática para os pastores ‘manipuladores’ é a sabedoria que o indivíduo começa a adquirir com o tempo, passando a contestar alguns aspectos das ideias que ele mesmo vem discursado durante tempos.
Para anestesiar esse indicativo de ‘rebeldia’, os pastores começaram a realizar então os conhecidos “Seminários de Honra”: encontros onde os pastores ensinam o rebanho a serem extremamente gratos e fieis à eles, o que reflete no barramento em um proverbial senso crítico e o retorno do entusiasmo, já que o líder, agora, vê as inquietações de outrora como pecado.
Para aqueles que não têm cargo de liderança na igreja, os seminários de honra funcionam mais com uma manutenção de fidelidade do grande grupo. Projeta-se na congregação a ideia que é um “privilégio” as pessoas participarem daquele grupo e a igreja, por sua vez, o receber em seu seio.
Eu entendo essas estratégias como altamente funcionais em empresas que visam lucro e eficácia de produção, mas em templos religiosos percebo isso com uma forma desleal de tratar a fé dos outros. Afirmo sem medo algum que pastores que se encaixam nesta narrativa merecem a sua desconfiança.
Uma nova classe de líderes
Um grande problema que a criação de líderes gerou foi o real surgimento de líderes: pessoas capazes de influenciar pessoas. Na prática, um bom número de pessoas, após ter contato com informações novas, desenvolve um profundo senso crítico. O que é prejudicial para a lógica de manipulação de alguns pastores.
Estes indivíduos pensantes começam a contestar práticas desalinhadas dos conceitos e até os próprios conceitos da igreja. Entretanto, como uma boa ditadura psicológica, nenhum anseio destas pessoas é atendido ou elucidado. Na realidade, quando este líder é identificado como uma ameaça ao grande grupo, logo é projetado sobre ele um aspecto de ser desonroso, já que ele agora desafia a direção.
Geralmente os destinos destas pessoas são pelo menos dois: ficar em um local de quase nenhum destaque na igreja, optando pelo conforto dos amigos e ambiente; sair da igreja profundamente decepcionado ao perceber o grande ‘jogo’ de pessoas que a denominação fazia. Alguns outros além de sair da igreja com uma profunda dor na alma, tornam-se críticos de tais práticas assim como eu.
