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Ponho os pés no chão e olho pra dentro, lamento pelo que vejo, todo o mal que faço não é o bem que desejo.
Confesso, não consigo interpretar a personagem do super cristão, aquela figura sábia que está sempre com a razão, tem palavras doces para todas as ocasiões, é pacificador, não se irrita e nunca fala palavrão. A maldade que vejo nos outros me faz perder a razão. Minha própria maldade devolve na mesma moeda qualquer agressão e na sede por justiça me pego sendo injusto como um ladrão que rouba outro ladrão. Há dentro de mim um discípulo que busca agradar ao Senhor, mas quando encurralado saca a espada e fere o próximo sem o menor pudor.
Todo meu esforço é vão, quanto mais eu tento ser um herói, mais acabo como o vilão. Sou sempre mais azedo do que gostaria e mais rude do que deveria. Sou limitado. Falho miseravelmente em toda tentativa de parecer melhor do que realmente sou. No fundo, minha natureza que é humanamente má se sobressai, não por que eu goste assim ou queira isso, mas porque de mim mesmo não consigo produzir nada que seja bom. Faço coro com o apóstolo: “Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?”
No máximo, disfarço meus medos e inseguranças para que eu mesmo acredite que tenho mais fé do que realmente possuo enquanto uma ansiedade indesejada me corrói e uma voz dentro de mim não cessa: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” Tenho fé, recebida de Deus, mas não consigo ser como estas figuras inabaláveis que reinam soberanas sem nunca vacilarem.
Percebo que na minha história, como na de qualquer outro humano, coleciono alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, glórias e vergonhas, mas é tudo tão demasiadamente humano. Em muito do que faço o meu esforço se destaca, pois ainda que tenha recebido a fé, preciso de ajuda pra crer que jamais poderei fazer nada que pague o favor de Deus, que nenhum esforço meu pode superar a providência divina.
Sei que não mereço sequer o fôlego de vida que recebo a cada dia. E quem de nós merece? Com os pés no chão e olhos pra dentro, quem de nós não lamenta por descobrir que somos todos iguais sendo diferentes daquilo que Deus deseja que sejamos e que nós mesmos gostaríamos de ser?
Quem, ou o quê, pode explicar o amor de Deus que não se altera mesmo diante de todas as nossas incoerências, hipocrisias e medos? Como entender um Deus que se entregou para morrer em nosso lugar, muito antes de nascermos, mesmo sabendo todas as coisas ruins que faríamos e quantas vezes falharíamos?
Somente a Graça de Deus! Não encontro outra explicação, pois com os pés no chão e olhando pra dentro não vejo outra forma de recebermos de Deus a salvação que nos livra de nós mesmos e gradativamente regenera nossa natureza até que sejamos a figura do Cristo glorificado, por meio de quem somos justificados e recebemos acesso a uma nova vida aqui no presente e por toda a eternidade.
Soli Deo Gloria!

Aqueles que se humilham são exaltados.
É engraçado… conforme vou lendo cada sentença deste artigo, sinto vontade de sair gritando ele por aí rs… tenho em mim uma necessidade de ficar me explicando. Principalmente quando erro, ou quero a compreensão dos mais chegados, e usaria facilmente este texto pra isso. Pois "O que eu não quero eu faço e o que eu quero sigo sem fazer…"