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jul

Pequenos grupos, grandes enganos

por Marcus Castro
Pequenos grupos, grandes enganos

pequenos_grupos

Como nem todo mundo se sente confortável ao participar de uma Célula, ou Pequeno Grupo, há quem ouse romper a blindagem aplicada sobre este tipo de estratégia para observar algumas das consequências práticas na vida das pessoas e das igrejas onde é praticada.

Grosso modo, nos primeiros momentos a filosofia de Pequeno Grupo parece ser uma excelente estratégia para alcançar pessoas para Cristo, mas posteriormente as pessoas acabam se afastando destes grupos, criando por vezes aversão a eles. Essa aversão, compartilhada por muitos ex-participantes, motivou este texto que, provavelmente, encontrará ressonância em muitas outras pessoas com alguns anos de igreja evangélica.

Conceitualmente, as células são ótimas para alcançar pessoas que têm resistência a Igreja enquanto instituição, justamente por ter no acolhimento afetivo das pessoas do grupo sua principal característica. Na prática, não é raro revelar-se como mero instrumento de proselitismo denominacional sendo ineficaz em instruir os novos convertidos em princípios bíblicos. Por este modelo abolir a Escola Bíblica Dominical, por exemplo, os prosélitos se tornam fluentes na mecânica da célula, mas completamente ignorantes quanto ao que é cristianismo.

Uma crítica recorrente às células é que elas enfraquecem as pessoas em vez de fortalecê-las.

É evidente que são criados vínculos emocionais a partir do convívio com os membros do grupo, e isso não seria ruim se em todo o cotidiano as mesmas pessoas não estivessem inseridas sempre nos mesmos programas da igreja, perdendo a riqueza da pluralidade em favor de uma unanimidade prejudicial. É uma prática comum cercar as pessoas para que elas não possam se relacionar com quem não participa da célula em que foram inseridas. É como considerar que só privar as pessoas de condições favoráveis ao erro as ajude a não errar. Cria-se assim um universo paralelo à realidade, para que os crentes possam ser santos, não por serem convencidas pelo Espírito, mas por pura obrigação religiosa. Isso gera gente fraca, que diante as adversidades da vida real não sabe o que fazer.

E quando o que chamam de cuidado se revela como “policiamento”?

O líder da célula recebe a orientação de cuidar e conduzir os membros do grupo na caminhada do evangelho e o desafio de encontrar um aprendiz de líder, um sucessor. E essa pessoa que deveria acompanhar de perto a vida dos seus liderados, com visitas e ligações, ajudando-os a fazer parte da grande congregação, acaba por doutriná-los sobre a metodologia dos Pequenos Grupos interferindo na vida dos seus pupilos de forma bastante invasiva.

Mas pense bem, se quem tem a responsabilidade de incentivar uma mudança de atitude na vida dos crentes é o Espírito Santo de Deus que nos convence do pecado, da justiça e do juízo, porque precisamos de agentes exteriores, que são pessoas tão falhas quanto qualquer um, ordenando o que, como ou quando se deve fazer ou não determinada coisa? De fato, sabemos que não existe possibilidade de real transformação se ela não for consciente, espontânea e motivada pelo Espirito Santo por meio da Palavra. Mesmo assim, com o passar do tempo, essa liderança transforma-se em uma espécie de mentoria que visa apenas controlar os membros para gerarem resultados, para multiplicar! Multiplicar o quê?

Quem entrou na fé através de uma célula, cedo ou tarde, se encaixa em pelo menos três grupos: [1] os que dependem do Pequenos Grupos para se manter na igreja, sentindo-se acolhidos e tendo esse sentimento como termômetro de fé; [2] os que não mais frequentam as células, mas permanecem na igreja, utilizando os meios tradicionais (escola bíblica e cultos) para aprender as questões da fé e se aconselham diretamente com o pastor ou um amigo próximo, sem a responsabilidade de líder; e [3] os que tem aversão a pequenos grupos e por isso também rejeitam a igreja pois lá tiveram péssimas experiências religiosas e de relacionamentos, pouco importando o conteúdo aprendido lá.

No fim, a única forma de se manter em Cristo é alimentar a fé através da palavra de Deus contida na bíblia, pura e simplesmente. Estratégias vêm e vão, e como mecanismos puramente humanos, podem prejudicar profundamente o desenvolvimento das pessoas, desviando a atenção delas e transformando a igreja em um tipo de pirâmide social baseada em metas onde o convívio forçado em grupo é mais importante do que o relacionamento sincero com o próximo e com Deus.

  • Assuntos: bíblia, desabafo, evangelho, fé, igreja, liderança, mundo, paradigma, pensamentos, politica, propósito, reflexão, reforma, serviço
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